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Avalie e previna os riscos de uma gravidez após os 35 anos

Potado por: Jornalismo - sexta-feira, 26 de dezembro de 2014 | 06:25

Nova pesquisa estatística do Ministério da Saúde mostrou que cada vez mais as mulheres têm deixado a gravidez para depois dos 30 anos. O percentual de brasileiras que tem deixado para ser mãe mais tarde atualmente é de 30,2%, número que chegava apenas a 22,5% no começo dos anos 2000.
O mundo evoluiu, a expectativa de vida aumentou, mas algumas regras do corpo humano ainda são as mesmas dos tempos paleolíticos. Uma delas, inclusive, tem a ver com o ciclo reprodutivo da mulher, que começa a decair após os 35 anos mais ou menos. As células que geraram todos os óvulos já nascem com elas, ou seja, elas vão envelhecendo com o tempo, o que aumenta as chances de problemas. "Além disso, com a idade avançada há alterações do metabolismo, sistema imunológico, e do preparo do organismo para uma gestação, podendo assim desenvolver complicações", explica a ginecologista e obstetra Erica Mantelli.
Mas isso não quer dizer que você não possa mais ser mãe depois dessa idade. Ter qualidade de vida melhora muito as chances de uma gravidez tranquila e feliz, em qualquer idade. "Mulheres acima de 35 anos, que são saudáveis, praticam atividade física, mantêm alimentação equilibrada e fazem acompanhamento médico rigoroso conseguem amenizar alguns riscos", diferencia a especialista.
Por outro lado, ter filhos após essa idade está se tornando cada vez mais comum. "Há 20 anos 5% das grávidas tinham idade superior a 35 anos, hoje esse número chega a 20% em grandes capitais", contextualiza o ginecologista e obstetra Sang Cha, professor livre-docente da Universidade de São Paulo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Ultrassonagrafia. E se esse é o seu caso, não precisa então se desesperar. Avalie a seguir os principais riscos da sua gestação e veja como é possível evitá-los ou minimizá-los.
Hipertensão e pré-eclâmpsia
Os quadros são um pouco diferentes, mas envolvem um problema comum: a pressão arterial elevada, o que traz uma série de riscos à mamãe e ao bebê. E tanto a hipertensão quanto a pré-eclâmpsia são de duas a três vezes mais incidentes na gravidez após os 35 anos. "Existe o envelhecimento do útero, a placenta não desenvolve adequadamente, e assim ela libera substâncias que acabam induzindo a hipertensão", ensina o ginecologista e obstetra Sang Cha, professor livre-docente da Universidade de São Paulo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Ultrassonagrafia. Mais especificamente, essas substâncias agem na camada interna das veias, o endotélio, fazendo com que ele se endureça e necessitando que o sangue seja bombeado com mais força para circular com a velocidade necessária.
Como prevenir: Apesar da predisposição biológica, o estilo de vida está muito relacionado à gestação: "Alimentação saudável, com baixo teor de sódio, praticar atividade física , controlar ganho de peso e cuidar da saúde auxiliam sim", considera a obstetra Erica Mantelli. Mesmo assim, essas intercorrências podem aparecer, principalmente a pré-eclâmpsia, que não tem uma causa já definida. Por isso, o acompanhamento constante do obstetra nas primeiras semanas de gravidez é o que indica a maior parte dos riscos, não importa a idade da gestante.
Diabetes gestacional
A alta do açúcar no sangue é muito mais comum em gestantes acima dos 35 anos, cerca de duas a três vezes mais. Isso ocorre porque a resistência ao hormônio insulina aumenta com idade - esse quadro ocorre quando as células precisam muito desse hormônio para absorver uma mesma quantidade de glicose, o que em longo prazo favorece o diabetes. "Isso coincide com a gravidez, em que uma série de hormônios é aumentada, como a insulina, o que favorece a diabetes gestacional", considera Sang Cha.
Como prevenir: Mais uma vez cuidar do peso e da alimentação, aumentar a quantidade de atividade física e cuidados redobrados no pré-natal auxiliam a saúde da gestante e previnem esse risco. Porém, o ideal é que, além de cortar o sódio, reduza-se também a ingestão de carboidratos simples e açúcar, aumentando o número de alimentos integrais e com carboidratos complexos.
Baixo crescimento fetal
O estilo de vida atual influencia na saúde da gestante e nesse problema, que é de duas a três vezes mais incidente em gestantes mais velhas. "Hoje é comum que os bebês cresçam pouco, já que as mulheres têm empregos de alto comando, trabalhos estressante, não comem bem, não descansam, trabalham até o fim da gestação e isso interfere na nutrição do feto", considera Sang Cha. O problema é que crianças que nascem abaixo do peso têm maiores chances de ter doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e deficiências no aprendizado.
Como prevenir: Durante o pré-natal o obstetra vai acompanhando o crescimento do bebê através do peso da gestante, além das ultrassonografias. Caso ele note que a criança está crescendo pouco, ele certamente irá recomendar repouso. Mas para evitar esse problema, vale a pena pegar mais leve durante a gestação. "Outras atividades desviam fluxo de nutrientes e sangue do bebê", alerta o especialista.
Anomalias genéticas
A mulher já nasce com todas as células que geraram seus óvulos, o que faz com que elas envelheçam com o passar do tempo. O problema é que células mais velhas podem ter maiores problemas de divisão celular, o que pode resultar em óvulos com cromossomos a mais ou a menos. Como o código genético determina todo o funcionamento do nosso corpo, isso pode acarretar em bebês com alterações. "Existem diversas síndromes causadas por alterações genéticas, e a Síndrome de Down é a mais conhecida. Mas existem outros como Síndrome de Turner, Distrofia Muscular de Duchenne, Fibrose Cística, Fenilcetonúria...", enumera Erica Mantelli. Outro problema comum causado pelas falhas genéticas é o aborto espontâneo ou nascimento de crianças com mal-formações.
Como prevenir: Engravidar mais cedo é a forma mais eficaz de reduzir os riscos desse problema. Porém, planejar uma gravidez tardia pode ajudar, e muito! Primeiro por que é possível fazer a criopreservação dos óvulos, garantindo que eles não envelheçam com você e tenham menos chances de terem problemas na divisão celular. Se esse não for o caso, a fertilização in vitro permite que um exame complementar que verifica se o embrião tem algum problema em seu DNA, o diagnóstico genético pré-implantação. Mas, infelizmente, isso envolve custos mais altos.
Placenta prévia
Essa condição ocorre quando a placenta está localizada no colo do útero, quando ela deveria estar ao fundo desse órgão. "Quando a placenta recobre o colo do útero, pode causar sangramento intensos e não permite o parto normal", explica Sang Cha. O problema é mais comum em gestantes mais velhas, mas principalmente aquelas que já tiveram outros filhos em partos cesarianas. Mas, no geral, acomete apenas 1% das gestantes.
Como prevenir: Não é sempre possível evitar o problema, apesar de uma forma de reduzi-lo seria com a realização de partos cesariana apenas quando houver real necessidade. Porém, a melhor forma de evitar problemas é o diagnóstico precoce. "Hoje com ultrassom se diagnostica isso até terceiro ou quarto mês", considera o especialista. Tendo detectado é possível prevenir um parto prematuro, evitando relações sexuais e atividades físicas de alto impacto.
Parto prematuro
Partos prematuros não são exclusividade das gestantes mais velhas: sua incidência também é alta em mães adolescentes. Mas no caso das mulheres com mais de 35 anos, sua ocorrência se deve principalmente, à quantidade de outros riscos que encontramos nessa gestação. "Depois dos 35 anos o útero está envelhecido e tem problemas, o que facilita o parto prematuro. Ele normalmente é uma manifestação de um ambiente biológico inadequado - hipertensão e diabetes pode causar um parto precoce, por exemplo", contextualiza Sang Cha.
Como prevenir: De acordo com o especialista, 95% dos partos prematuros poderiam ser evitados com um pré-natal adequado, identificando condições de risco como diabetes gestacional, hipertensão ou pré-eclâmpsia.
Distócia funcional
O envelhecimento do útero também atrapalha o desenvolvimento do trabalho de parto, a chamada distócia funcional, que tem o dobro de incidência em mulheres após os 35 anos. Além disso, como a incidência de outros problemas é comum nessa faixa etária, muitas vezes é preciso antecipar o parto. "As distócias nessa idade se devem principalmente se o parto foi induzido, ou seja, não se iniciou espontaneamente", considera a obstetra Erica. Mas existem outras causas: "também ocorre por alterações na pelve, problemas posturais, histórico de cirurgias pélvicas, presença de mioma ou cistos", completa a especialista.
Como prevenir: A prevenção desse problema está essencialmente no trabalho do médico, ao usar a medicação certa, mudar a posição da gestante constantemente, dar suporte psicológico e controlar a dor de forma correta, com anestesias e outras medidas.
Fonte: Minha Vida
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