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Sem cirurgia, anticoncepcional masculino deve chegar ao mercado em 2018

Potado por: Jornalismo - terça-feira, 26 de maio de 2015 | 11:48

Líquido é injetado e não permite que os espermatozoides passem na hora da ejaculaçãoFundação Parsemus
Apesar de parecer uma realidade ainda distante, em poucos anos, os homens deverão ter à disposição um anticoncepcional masculino. O produto, que está em fase de testes, deverá chegar ao mercado em 2018.

Desenvolvido pela Fundação Parsemus, dos Estados Unidos, o Vasalgel será aplicado por meio de injeção nos vasos deferentes (que ficam nos testículos e carregam os espermatozoides até a ejaculação), bloqueando a passagem das células reprodutivas masculinas.

O produto não modifica a produção de hormônios masculinos. Para a reversão, é injetada outra substância que dilui a primeira, e, em algumas semanas, o homem fica apto para ter filhos novamente.

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Em entrevista ao R7, a diretora da fundação, Linda Brent, explicou que o produto não influencia na ejaculação e no orgasmo.

— A substância bloqueia e filtra o esperma, permitindo que o sêmen seja liberado normalmente. A ejaculação continua da mesma maneira, mas sem esperma.

Até agora, os testes realizados em coelhos mostraram que o produto é eficaz, conforme explica Linda.

— A infertilidade permaneceu por pelo menos um ano. Logo depois, iniciamos o procedimento de reversão.

Segundo Linda, a expectativa da Parsemus é iniciar os testes em humanos a partir de 2016, mas, para isso, é preciso ter a aprovação do órgão de controle de saúde americano, FDA (Food and Drug Administration).

Em relação ao tempo de duração do produto, a diretora explica que ainda não é possível ter essa resposta. Nos coelhos testados, o efeito permaneceu por um ano até ser interrompido pelos pesquisadores.

— Estudos com produtos similares na Índia demonstraram que o efeito chegou a durar dez anos. Nós ainda teremos que fazer diversos testes para podermos dizer por quanto tempo o homem ficará prevenido com Vasalgel.

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Na opinião do urologista Marcello Cocuzza, membro do Departamento de reprodução Humana da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), a novidade pode ser revolucionária em relação à prevenção masculina.

— Sem dúvida seria algo revolucionário, mas é preciso muitos testes. Facilitaria muito o processo anticoncepcional masculino. Mas em humanos é muito complicado, porque cada pessoa é diferente.

Poucas opções para homens

Por haver poucas opções contraceptivas para o homem, o urologista diz acreditar que a novidade pode ser bem recebida pelo público. Hoje, quando o quesito é prevenção para eles, há somente duas opções: a camisinha e a vasectomia.

— São poucas opções, porque o homem não pode tomar remédios de efeito hormonal como a pílula. O uso dessas substâncias nos homens tem influência nos níveis de testosterona, e pode ser irreversível. Quando toma anticoncepcional, o sistema hormonal masculino fica bloqueado, ele entra em atrofia, o que não acontece com a mulher. O testículo tem atrofia testicular crônica.

Para o médico, a principal vantagem do novo anticoncepcional seria a facilidade da reversão, já que é menos agressivo que a vasectomia.

— A vasectomia é um procedimento cirúrgico que consiste na interrupção dos ductos deferentes. Embora seja reversível, exige um procedimento cirúrgico delicado. É uma microcirurgia. O Vasalgel é um método contraceptivo utilizado para os homens que consiste na obstrução, semelhante a vasectomia, porém, que proporciona a reversão com maior facilidade. Vejo com um método teoricamente mais simples, para a redução a curto prazo. Se ele funcionar, pode ser muito benéfico.

O especialista também explica que o produto pode também ter um processo de recuperação mais simples que o da vasectomia.

— Eu não acho que esse novo contraceptivo tem que ser pensado como uma substituição da camisinha, mas sim como alternativa à vasectomia, para homens que já possuem uma família.

Preço

Até o momento, a Fundação Parsemus não tem estimativa de quanto custará esse produto, diz a diretora Linda Brendt.

— Nossa ideia é deixar o anticoncepcional a preço de custo, já que as grandes empresas da indústria farmacêutica não tiveram interesse em patrocinar o nosso estudo.

Brendt afirma que a falta de interesse está associada à falta de lucratividade. Segundo ela, é mais vantajoso para a indústria vender pílulas para mulheres, que deve ser tomada diariamente, do que fazer um produto que pode durar por alguns anos.

Por R7
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