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Com alta da energia, inflação pode chegar a 9% em julho

Potado por: Jornalismo - sexta-feira, 12 de junho de 2015 | 10:07


A alta dos alimentos em maio — provocada pelas chuvas e que surpreendeu o mercado — levou a inflação do mês para uma aceleração atípica para o período, de 0,74%. Com o avanço, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dos 12 meses chegou aos 8,47%, patamar que não era visto desde dezembro de 2003, quando atingira 9,3%, segundo a série do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para analistas, no entanto, o pior ainda está por vir. Embora os alimentos entrem em um período de desaceleração, podendo chegar à deflação, os reajustes anuais de energia elétrica se manterão firmes, chegando até os 15%, como em São Paulo, o que pode levar o IPCA nos 12 meses ao pico de 9%, já em julho. A saída será um maior aperto do Banco Central (BC), com a Selic podendo chegar aos 14,5% até o fim do ano.

Em maio, o IBGE identificou o forte avanço dos preços dos alimentos in natura. Com a cebola alcançando variação de 35,59%, o tomate em 21,38% e a cenoura em 15,90% — entre as principais altas —, o grupo alimentos e bebidas passou de uma expansão de 0,97% em abril para 1,37%, em maio. Economista da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), André Braz vê uma espécie de deslocamento da sazonalidade, mas que não deve trazer novas surpresas para junho, julho e agosto.

“Houve um comportamento atípico no mês, mas esse movimento de alta nos preços dos alimentos não muda a crença de que, entrando o inverno, eles caiam. Os aumentos acontecem em lavouras curtas. Quando o preço sobe, incentiva os produtores e, logo, o mercado está encharcado de produtos, levando os preços a caírem”, explica Braz.

“É esperado que as carnes, pelo crescimento das exportações, e os pães, com o trigo pressionado pelo câmbio, mantenham-se elevados. Mas isso deve influenciar o IPCA de junho de forma moderada”, acrescenta o economista.

Em função da base estatística bastante baixa, julho deve ficar marcado pelo pico da inflação nos 12 meses, chegando aos 9%, como aponta o economista do Itaú Unibanco, Elson Teles. “Em julho de 2014 o IPCA mensal ficou em 0,01%. Logo, qualquer alta acima disso será suficiente para fazer a inflação bater os 9%. Mas não vai permanecer nesse nível ao longo do ano”, ressalta Teles, que não descarta a pressão do reajuste anual de energia em São Paulo, a ser concedido no mês pela Agência Nacional de Energia Elétrica ( Aneel) à Eletropaulo. Aumento que, para o diretor executivo do Grupo Safira Energia Mikio Kawai Jr., pode chegar até os 15%.

“Um reajuste bastante significativo, considerando o peso de São Paulo sobre o IPCA. Além disso, espera-se que esse aumento venha acima da média esperada para as demais distribuidoras”, avalia Kawai Jr..


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